Robôs colaborativos: o que a legislação prevê em termos de segurança?

A robótica colaborativa é um marco na produtividade da indústria. Desde que ela se tornou possível, mudamos a relação homem/máquina nas linhas de produção e estabelecemos novos padrões de produtividade e eficiência. Além disso, é um recurso que tende a resultados ainda mais significativos no uso conjunto com as novas tecnologias que estão surgindo.

Para escrever para você sobre o tema, entrevistamos Tomas Lerbach, gerente técnico da Universal Robots, uma empresa parceira do Grupo EDGE. Além do vasto conhecimento sobre os robôs colaborativos, ou cobots, Tomas colaborou diretamente para o alinhamento da nossa legislação ao uso desse importante recurso.

Caso não saiba, a Universal Robots foi pioneira na aplicação do conceito de trabalho conjunto entre humanos e robôs industriais quando, 11 anos atrás, cinco pós-doutorandos desenvolveram a aplicação na sede da empresa na Dinamarca.

Por isso, você pode esperar por um envolvente e relevante conteúdo sobre o futuro da automação e sobre as experiências vividas nesta pouco mais de uma década na qual compartilhamos o ambiente de trabalho com os robôs. Faça uma boa leitura!

Como a robótica colaborativa vem transformando a indústria?

Os robôs não são exatamente uma novidade na indústria, pois operam desde os anos 1980. Contudo, estes avós robôs trabalhavam isolados de nós, humanos, devido ao alto risco de acidentes — potencialmente fatais, em muitos casos.

Isso mudou com a criação dos robôs colaborativos, pois foi quando não houve mais a necessidade de se envolver com atividades repetitivas, arriscadas e insalubres, que agora podem ser executadas pelos cobots.

Ao mesmo tempo, como eles não oferecem riscos, humanos podem trabalhar ao lado deles livres de LERs (lesões por esforço repetitivo) e com uma função de característica mais cognitiva, como fazer uma programação ou gerenciar a execução e a manutenção. Em resumo: o robô executa, e o humano gerencia sem os riscos das atividades operacionais mais perigosas.

A segurança é um ponto marcante no uso dos robôs colaborativos e para identificá-los. Isso é importante mencionar porque ainda há certa incerteza no Brasil sobre eles, pois, algumas vezes, são confundidos com os convencionais.

O melhor critério para eliminar qualquer dúvida sobre o que é um cobot é a segurança. Ou seja, se um robô oferece algum risco ao ser humano, não pode ser considerado colaborativo.

Quais são os dispositivos de segurança desses robôs?

O robô colaborativo opera com um monitoramento interno que faz com que ele pare quando encosta em uma pessoa ou em uma máquina. Essa parada gera uma mensagem na tela do robô como o termo “parada de proteção”.

Essa nomenclatura caracteriza um status de emergência que faz com que, depois de providenciar a liberação do espaço de trabalho, o operador reinicie o sistema. Assim, se uma pessoa entra em uma área não permitida e o robô encosta nela, não vai machucá-la, pois vai parar imediatamente e só voltará a funcionar depois da reinicialização. Nesse retorno, o cobot vai iniciar a execução a partir do momento exato da parada.

Essa função de segurança caracteriza o robô colaborativo, mas ele não precisa se limitar a ela. Nos robôs colaborativos da Universal Robots, por exemplo, existem 17 funções extras de segurança que foram patenteados pela própria marca para manter ainda mais seguro qualquer ambiente no qual o robô for implementado.

Esses itens adicionais incluem funções virtuais de segurança, monitoramento dos eixos do robô e monitoramento da ferramenta que o robô carrega, de modo a aumentar a segurança para os colaboradores.

Quais são as disposições na legislação sobre o tema?

Sobre a legislação, Tomas conta que, quando a Universal Robots trouxe o produto para o Brasil, foi agendada uma reunião no Ministério do Trabalho. Com a importante contribuição da ABIMAQ — Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, gerentes locais e da América Latina da empresa, incluindo o nosso entrevistado, foram à Brasília apresentar a solução e expor as limitações regulatórias de sua aplicação no Brasil.

Como resultado dessa iniciativa, foi desenvolvida uma nota técnica (NT 31). A NT 31 foi anexada à NR 12 e, portanto, normatizou o uso dos robôs colaborativos no Brasil.

Isso significa que, embora não tenhamos uma legislação específica vigente, há o respaldo da NT 31, que institui que o robô colaborativo deve estar de acordo com a ISO 15066, que é uma norma internacional para uso do cobot.

Para que uma indústria esteja habilitada ao uso de um robô colaborativo, ela precisa documentar o equipamento por meio de uma apreciação de risco. Nesse informe, que deve permanecer disponível ao lado do robô, é necessário mencionar que a empresa segue a ISO 15066.

Segundo explicou Tomas, “a norma ISO 15066 define o que pode ser uma aplicação segura e o que pode ser uma aplicação de risco. Se a aplicação for de risco, você tem que usar equipamentos externos de segurança, como scanners de área, cortinas de luz, tapetes de segurança, câmeras de segurança, que vão aumentar a segurança da aplicação que está sendo desenvolvida”.

Basicamente, a ISO engloba:

  • as características dos sistemas de segurança;
  • detalhes do projeto de robôs colaborativos;
  • particularidades sobre integrações de sistemas de segurança;
  • requisitos de parada de segurança;
  • monitoramento de velocidade;
  • limitação de força e potência;
  • exigência do documento de apreciação de risco.

Qual o uso dos robôs colaborativos no Brasil?

Segundo Tomas, estamos em franco crescimento da aplicação dos cobots no Brasil. Ele ainda informa que a Universal Robots tem 40 mil robôs instalados no mundo, sendo que o uso mais avançado ocorre na Europa, na Ásia e na América do Norte.

No Brasil, ele percebe uma indústria muito forte e consciente da importância de investir na Indústria 4.0. Mais do que isso, os líderes industriais têm calculado o retorno desse investimento, que não é imediato, mas é significativo, além de importante para manter nosso parque competitivo em um cenário com tendência de abertura para o mercado externo.

No Brasil, o Grupo EDGE comercializa essas soluções em parceria com a Universal Robots, que oferece todo o suporte técnico para a operação. Desse modo, você tem à sua disposição todo o conhecimento da empresa pioneira na robótica colaborativa e a estrutura da EDGE para colocar seu empreendimento no rumo da Indústria 4.0.

Planejar essa implantação é crucial para as empresas nacionais. Entre em contato e conte com todo o nosso apoio, experiência e comprometimento para ajudá-lo com esse desafio!

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