Guia para melhorar a eficiência energética e reduzir custos

A indústria é responsável por 37% de todo consumo elétrico do Brasil, arcando com uma das mais caras tarifas de energia elétrica para o setor, superando o custo de países como a França, Canadá, Turquia, México e Estados Unidos, segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Entre os anos de 2010-2020, o valor da tarifa média de eletricidade no país aumentou mais de 50%, e é apontado como um dos maiores obstáculos ao crescimento e competitividade da indústria, já que diversos setores industriais são intensivos no consumo de energia elétrica em seus processos produtivos, de modo que um encarecimento do insumo eleva significativamente seus custos.

Para superar esse desafio, diversas empresas começam a avaliar sistemas e soluções que impulsionem a eficiência energética em suas instalações, tanto administrativas quanto produtivas.

E os investimentos prometem entregar resultados consistentes. Segundo estudos do Programa PotencializEE, em conjunto com o MME (Ministério de Minas e Energia), o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e a CNI, a adoção de medidas de eficiência energética pode resultar em uma economia de R$ 10 bilhões para o setor industrial até 2050.

Entretanto, segundo a IEA (Agência Internacional de Energia), para se alcançar o cenário Net Zero em 2050, as taxas médias de melhoria de eficiência energética, globalmente, nesta década, deveriam ser 3 vezes superiores à média das últimas duas décadas.

É verdade que quase todos os países têm agora normas de eficiência para aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, e que o número de países com normas para motores industriais triplicou na última década. No entanto, a agência aponta que as melhorias globais na intensidade energética – indicador que representa a razão entre a quantidade de energia necessária por unidade de produto ou atividade produzida – tiveram um retrocesso em 2023.

Mas a boa notícia é que existe um potencial muito grande para a indústria produzir quase o dobro do valor por unidade do uso de energia em 2040, segundo a IEA, com uma melhora da intensidade energética geral de fabricação de 44% até 2040 com 70% da economia de energia potencial em setores industriais com uso menos intensivo de energia e a implementação de soluções de eficiência energética.

Quais são as barreiras para que as organizações melhorem a eficiência energética?

As barreiras podem ser facilmente superadas com ajuda de consultores de tecnologia e software, que avaliam todas as necessidades e identificam os melhores sistemas e soluções de eficiência energética para cada instalação. Confira quais são as dificuldades mais apontadas pelos gestores:

  • Falta de conhecimento sobre soluções de eficiência energética
  • Falta de dados e informações confiáveis para uma assertiva tomada de decisão
  • Responsabilidades para assuntos energéticos não estão claramente definidas
  • Preocupações acerca de operações e segurança de produção
  • Importância do custo da energia é secundária
  • Período de amortização muito longo para os investimentos
  • Falta de capital para investimentos
  • Capital disponível é direcionado para investimentos considerados mais importantes
  • Foco excessivo da gestão em benefícios de curto prazo, como receita de vendas
  • Falta de motivação dos funcionários

É mais do que hora de deixar essas barreiras de lado e o primeiro passo para melhorar a sua eficiência energética é avaliar o consumo geral e quais são os processos que mais utilizam energia, com uma auditoria, realizada com recursos internos ou com a ajuda de um parceiro, para identificar suas fontes de energia, padrões de consumo e potenciais oportunidades de economia.

Uma auditoria energética pode ajudá-lo a medir os seus indicadores de desempenho energético como a intensidade energética, a produtividade energética ou o consumo específico de energia, e compará-los com os padrões da indústria ou as melhores práticas e, também, a definir metas realistas e alcançáveis e a priorizar suas ações, que pode ser a certificação ISO 50001 (falaremos mais sobre isso adiante).

Ambientes de trabalho também devem contar com soluções de eficiência energética

Segundo a organização britânica Energy Saving Trust, a adoção de sistemas e soluções de eficiência energética nos espaços de trabalho podem reduzir as contas em até 25%, a partir da melhoria na refrigeração, iluminação e equipamentos.

Sistemas de refrigeração são normalmente o custo mais significativo em um local de trabalho, representando até 40% do consumo de energia em um edifício comercial e devem ser incluídos no esforço de melhoria da eficiência energética. Considere analisar os seguintes pontos:

  • Quando foi feita a última manutenção do sistema de refrigeração?
  • Você tem controles de refrigeração inteligentes?

Além disso, quando pensamos na iluminação do ambiente de trabalho, é claro que quanto mais tempo as luzes ficarem acesas, mais energia será utilizada. Salas de reuniões, áreas de armazenamento e corredores muitas vezes ficam iluminados sem necessidade. E é um mito de que desligar e ligar as luzes consuma mais energia do que deixá-las acesas o tempo todo.

Ao analisar uma iluminação eficiente em sua empresa, considere o seguinte:

  • Todas as suas luzes são LED e energeticamente eficientes?
  • É necessária iluminação contínua em determinados espaços? Nesse caso, considere mudar para luzes com sensor de movimento.
  • Você está aproveitando a luz natural? A realocação de objetos que bloqueiam janelas e mesas nos cantos pode, às vezes, atenuar a necessidade de iluminação artificial. Também criará um ambiente de trabalho mais agradável.

Equipamentos de escritório e de trabalho também podem consumir muita energia. Caso algum equipamento não esteja sendo utilizado, ele deverá ser desligado; deixar o equipamento em modo de espera desperdiça energia. Existem algumas coisas que você pode fazer para evitar o uso desnecessário de energia:

  • Troque modelos desktop por laptops, que consomem menos energia.
  • Incentive a equipe a desligar monitores e computadores da tomada ao sair e evite o modo de espera.
  • Ative configurações de economia de energia em computadores e laptops para todos os funcionários.
  • Configure as impressoras para desligarem automaticamente.
  • Certifique-se de que os equipamentos de uso comum, como cafeteiras, sejam desligados no final do dia.

Como engajar colaboradores nas práticas de eficiência energética

Há muitas maneiras pelas quais as empresas podem engajar e educar seus funcionários sobre como economizar energia enquanto trabalham em casa e no escritório, com workshops ou comunicações internas, mostrando exemplos e benefícios da eficiência energética para reduzir as contas, bem como a importância da redução das pegadas de carbono pessoais e empresariais.

Pedir sugestões aos colaboradores permite obter uma melhor resposta e promove um senso de propriedade compartilhada entre os envolvidos. Mantenha suas equipes atualizadas sobre medidas de economia e reconheça as boas práticas.

Eficiência energética requer uma abordagem sistemática para gerar valor

A eficiência energética se tornou um objetivo estratégico para o setor industrial. No entanto, ainda há necessidade de abordagens sistemáticas para reduzir o consumo de energia nas plantas.

Entre as principais razões para investir na otimização dos processos industriais visando a eficiência energética estão:

  • Redução de custos nas produções industriais
  • Redução das emissões de gases estufa
  • Redução do impacto das variações de preço de energia
  • Melhor desempenho em mercados competitivos

 

A melhor estratégia para atingir objetivos de eficiência energética é adotar um Sistema de Gerenciamento de Energia (SGE), um conjunto de políticas, procedimentos e ferramentas que ajudam a sua empresa a monitorar, controlar e otimizar o uso de energia.

Um SGE pode ajudá-lo a estabelecer uma abordagem sistemática e contínua para melhorar a sua eficiência energética, bem como cumprir os regulamentos e normas relevantes.

Uma das normas mais amplamente reconhecidas e adotadas para a estabelecer um SGE é a ISO 50001, que fornece uma estrutura para planejar, implementar, verificar e melhorar as suas práticas de gestão de energia.

A norma ISO 50001 oferece uma ferramenta prática para que as organizações implantem um SGE bem estruturado e de acordo com a sua realidade, orientando a implementação, manutenção, revisão e melhoria do sistema. A norma traz ainda diretrizes sobre segurança, desempenho e eficiência energética e pode ser aplicada por qualquer organização, independentemente do seu porte ou localização geográfica.

Como atingir a meta de eficiência energética

Agora, vamos conferir quais são as principais tecnologias e práticas para implementar uma estratégia de eficiência energética:

Automação e controle inteligente

A automação é uma das estratégias mais eficazes para atingir a meta de eficiência energética, implementando luminárias LED integradas a sistemas automatizados de monitoração de energia, controle de iluminação, entre outros, como os desenvolvidos pelo nosso parceiro Philips (Signify). A prática entrega processos mais dinâmicos, otimizados e eficientes, com uma gestão mais eficiente.

Outra forma de melhorar sua eficiência energética é atualizar seus equipamentos e tecnologias para alternativas mais eficientes e modernas. Isto pode envolver a substituição de máquinas, aparelhos ou sistemas de iluminação obsoletos ou ineficientes por modelos mais novos e mais eficientes em termos energéticos, ou a modernização de equipamentos existentes com dispositivos ou controles que economizam energia.

Por exemplo, você pode instalar inversores em seus motores, bombas ou ventiladores para ajustar sua velocidade e potência conforme a carga e a demanda, ou usar sensores, temporizadores ou dimmers para regular os níveis e tempo que as luzes devem permanecer acessas. A atualização de seus equipamentos e tecnologia pode ajudá-lo a reduzir o consumo de energia, os custos de manutenção e o tempo de inatividade.

Monitore o consumo de energia com IIoT

A IIoT (Internet Industrial das Coisas) vai além da conectividade e automação de dispositivos, e tem a capacidade de monitorar o consumo de energia, um ponto crítico para que as indústrias possam otimizar os seus recursos. O monitoramento de energia habilitado para IIoT fornece uma visão holística do consumo de energia nas linhas de produção.

Aproveitando os avanços na conectividade dos dispositivos, o setor industrial pode agora rastrear os padrões de consumo de energia de cada equipamento no chão de fábrica. Com isso, gerentes e executivos obtêm visibilidade granular do consumo de energia, bem como informações sobre desperdício.

A adoção da IIoT para fins de eficiência energética tem potencial para proporcionar benefícios econômicos substanciais. Um relatório da McKinsey identificou que até 2030 a tecnologia IIoT no setor industrial poderia gerar, globalmente, entre US$ 1,43 trilhão e US$ 3,32 trilhões por ano. Os resultados sugerem que a poupança de energia representaria cerca de 3,5% do valor gerado pela IIoT em todas as aplicações industriais.

Com uma infraestrutura de rede industrial implementada com soluções completas e otimizadas, como as oferecidas pelo nosso parceiro Panduit, você garante a entrega de dados em tempo real.

Otimize seus processos e práticas

Além de atualizar seus equipamentos e tecnologia, você também pode melhorar sua eficiência energética otimizando seus processos e práticas. Isso pode envolver o redesenho de seu layout, fluxo de trabalho ou cronograma de produção para minimizar o desperdício de energia, ou a adoção de princípios de manufatura Lean para eliminar ineficiências e defeitos. Você pode, por exemplo, otimizar seu sistema de ventilação e ar-condicionado vedando vazamentos, isolando tubos ou ajustando as configurações de temperatura. Otimizar seus processos e práticas pode ajudá-lo a aumentar sua produção e melhorar a satisfação do cliente.

Sem a adoção de uma estratégia de eficiência energética, o setor industrial se vê aprisionado em ciclo nada virtuoso, como apontam os analistas da CNI, destacando que uma elevação no custo da energia elétrica faz com que as empresas tenham maiores custos de produção. O primeiro efeito sobre os custos é direto, via dispêndios adicionais com energia para manutenção da sua própria atividade, isto é, pode ser explicado pelos recursos adicionais necessários para utilização das máquinas e equipamentos. De modo indireto, as empresas presenciam o aumento do preço dos seus demais insumos no mercado local, pois o aumento no custo com energia afeta também seus fornecedores e vai sendo repassado pelas cadeias produtivas.

Quebrar esse ciclo não é uma tarefa impossível. Muito pelo contrário. É preciso identificar os pontos de melhoria e avaliar as melhores soluções, com a consultoria de um parceiro da EDGE com a expertise necessária para entregar as mais eficientes aplicações de eficiência energética.

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